quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

acho que eu estava irritada..

entrei em crise e resolvi viajar. entrei em crise em epoca de eleicao quando ouvi tantos e muitos discursos tao carregados de preconceito, cada um deles me fazia querer morrer. quando minha propria faculdade de comunicacao nao estava aberta a debates e discussoes sobre o que andava ocorrendo na midia e toda o seu (falso) discurso de liberdade de expressao, enquanto processavam blogs ou demitiam jornalistas por se mostrarem um pouco contrarios ao seus ideias politicos.
me perguntei bastante o que se caracterizaria como liberdade de expressao.
liberdade de expressao foi a desculpa do ultimo ano para muitos jornais, canais de televisao, humoristas, dizerem o que queriam a hora que queriam, independente do quao preconceituoso/tendencioso poderiam ser seus discursos. mas oras, nao venham tirar um sarro ou acrescentar uma linha elogiando o que esses grandes senhores detentores do poder midiatico tanto odeiam que PÁ voce pode ser demitido, processado, torturado, etc. adoro mesmo essa liberdade de expressao que funciona prum lado so.
e bom, resolvi viajar pra ver que o mundo nao esta tao carente assim de mentes um pouquinho mais abertas do que as que eu estava encontrando tao pertinho de mim (desculpe-me se a carapuca serve, mas a coisa aqui nao eh pessoal).
enfim.. viajei e encontrei pessoas maravilhosas, lugares maravilhosos, ideias geniais, historias de vida melhores ainda e comecei a acreditar de novo (um pouquinho) no mundo.
e ca estou eu, na India, com um grupo de pessoas dispostas a trabalhar sem ganhar uma rupia sequer, e comeco a ver um monte de mensagens no tal do facebook sobre a situacao da USP e a PM. ok, estou longe demais pra ter muita nocao do que esta acontecendo e nunca estudei na USP. se estudasse nao seria a favor da PM dentro do campus (by the way nunca fumei maconha, comecei a beber apos os 18 anos, sempre tirei as melhores notas como estudante e estou pagando pra trabalhar com criancas com deficiencia mental, ou seja, voce nao vai encontrar motivos para me chamar de maconheira, baderneira, vagabunda, etc..). mas nao foi esse o motivo de um post por aqui. nao quero entrar na discussao por estar longe demais pra saber o que realmente anda se passando por ai.
o ponto eh: venho lendo alguns comentarios que me deixaram tao triste e tao decepcionada que minha vontade de voltar agora eh quase zero. dentre todos os lugares que visitei pelo mundo nessa minha viagem, e nao foram poucos, nenhum deles veneram a violencia tanto quanto meu proprio pais. ou melhor, nenhum deles venera a violencia. e contraditoriamente, os brasileiros tem tanto medo de violencia que se trancam dentro de casa com quantas cameras de seguranca conseguem comprar, dois portoes na garagem, alarme no carro, na casa, seguranca particular (e eh soh no Brasil que as coisas funcionam desse jeito - oi estou na India onde a pobreza eh muito maior e me sinto muito mais segura, nao vejo violencia, as casas nao tem portoes e a solidariedade eh enorme) OI? com tanto medo de violencia contra si mesmo nao da pra perceber que achar certo que 400 policiais militares com armas de fogo ataquem brutalmente 70 estudantes eh tao mais violento e doentio do que um menino de rua que rouba sua carteira no onibus? como assim chamar maconheiros, vagabundos, filhinhos de papai que nao fazem nada da vida e merecem morrer? acho que alguns brasileiros tao precisando dar uma boa olhada dentro do proprio umbigo nao eh nao?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

India


eu posso ate tentar descrever o sabor sensacional da samosa que eu comi ontem no centro de Palampur, mas se voce nao experimentou nao vai ter nem uma nocaozinha do que isso significa. a mesma coisa eu digo pra India. nao tem como descrever. eh diferente num nivel tao absurdo que eu nao consigo nem comecar.
vamos a alguns fatos:
-eu me sinto mais segura aqui do que na minha propria cidade
-a comida eh tao delicinha que, pra quem achou que podia comer muito na Europa pq ia pra India perder peso, vou voltar rolando/boiando pra casa
-as familias nao precisam comprar um carro. cabe todo mundo numa moto so. o pai na frente, a crianca no meio e a mae sentada de lado com uma crianca no colo. ah eh, e tudo isso no meio da estrada.
-ou entao quatro homens grandes viajando numa mesma moto. e nao eh uma super moto, eh daquelas normais mesmo. alias, motos aqui com no minimo 3 pessoas.
-o transito eh a coisa mais louca do mundo. se voce nao nasceu indiano, mas nunquinha que conseguiria dirigir por aqui. anda-se mais na contramao do que na propria mao. nao existem calcadas. carros, caminhoes, pessoas, motos, bicicletas, onibus, e as famosas tuk-tuks (carregando umas 30 pessoas quando suportam no maximo 3) tudo ao mesmo tempo, por todos os lados, correndo, buzinando loucamente. eh LOUCURA. e muito engracado por sinal. coubemos 4 pessoas numa unica tuktuk com mais 4 malas para 2 meses, 4 mochilas e 4 bolsas. pra mim isso eh milagre e so eh possivel na india mesmo.
-ah eh! um caminhao andando na contramao na estrada a noite, sem luz, correndo, sem problemas. mas o cinto no banco da frente voce tem que usar pra nao ter problemas com o guardinha. OI?
-aquela historia de agua contaminada nao eh tao seria assim. eh soh voce nao beber agua da torneira e ter certeza de que sua garrafa de agua nao estava aberta quando voce comprou que tudo bem.
-banho aqui eh de balde. estou acordando todo dia umas 5h30 da manha, pego o balde, vou ate o final do corredor pra conseguir agua quente e voila. gasta-se muito menos agua e nao eh tao desconfortavel quanto parece.
-banheiro eh sim buraco no chao, com uma porcelanazinha pra pisar. mas tem os normais tambem, ainda nao tive coragem de usar o outro, mas as meninas por aqui ate que preferem. papel higienico alias soh pra turista. temos que anotar num caderno quantos papeis higienicos estamos levando para nossos quartos, pq senao eles nao tem muita nocao do quanto comprar.
-trem na india eh uma capitulo a parte. passamos 16h em um deles. e foi meio superengracado, meio super assustador. e as 5h comeca a temporado do chai guy, coffee guy, breakfast guy, que ficam gritando durante horas nos corredores e nao te deixando dormir.
-a quantidade de homens que se ve na rua em relacao a mulheres eh absurda.
-nada se julga por aqui se voce eh indiano. a nao ser em relacao a homens e mulheres. homens e mulheres nao se tocam por aqui. por mais casado que voce seja voce nao encosta na sua mulher/marido andando na rua. se voce eh mulher tem que estar coberta nos ombros, barriga (a nao ser quando usam sarees), tornozelos e colo, nao pode beber nem fumar, tem que usar piercing e colares entre outras coisas que demontram respeito ao seu marido e por ai vai. de resto voce pode fazer qualquer coisa. ninguem vai olhar pra voce de cara feia.
- me disseram uma vez que se voce vai pra india eh pra ver gente, nao beleza. bom, eu vejo muita gente mesmo, e a pobreza aqui impressiona, mas nao eh uma pobreza triste de jeito nenhum. pra mim significa uma coisa bem diferente. eles sabem lidar com isso muito bem. a capacidade de improvisacao eh incrivel. como quase nao se tem recursos por aqui, eles fazem funcionar com o pouco que eles tem. ok, eu sei que ta confuso, mas eh dificil mesmo de explicar o que eu ando vendo por aqui, e eu nao tenho muito tempo, sooo deixo pruma outra hora ou pruma outra conversa.

resumo da obra: estou aqui ha mais de duas semanas. visitei o taj mahal, andei de elefante, passei 16 horas num trem indiano, estou no meio de uma cidadezinha nas montanhas do himalaia, viajei ate a borda do paquistao, estou comendo a melhor comida da vida, nao estou doente, tomo banho de balde, ainda tenho medo do transito por aqui, matei 4 baratas num hotel super expensive e estou trabalhando com criancas que tem algum tipo de deficiencia mental. entre muitas outras coisas.
nao acho facil ou dificil estar aqui. a palavra eh outra. por nao querer parecer cliche, me abstenho de dizer qualquer coisa no momento. duas semanas eh um tempo curto demais pra tentar se encaixar e se entender nesse mundinho tao inusitado para mim.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

mochileira, enfim


(ok, esta cheio de erros, mas nao vou arruma-los agora que ja escrevi muito haha bgs)

poxa vida. dois meses que eu nao posto por aqui. eh que tem tanta coisa acontecendo que a comunicacao com o mundo fica um pouco prejudicada pelos ruidos. (ah sim, perdoem minha falta de acentos, dado que o teclado eh britanico e fiquei meio com preguica de procurar por eles. que com certeza devem estr em algum lugar).
a vida agora eh outra. numa media de 4 em 4 dias, alias, ela vem mudando muito, muito mesmo.
nao falei nada sobre nova york. eh o seguinte: fui sozinha passar 5 dias por ali. nao me senti sozinha um minuto sequer e eh com certeza uma das cidades mais impressionantes que eu ja visitei. me apaixonei por sao francisco em dois meses. preferi nova york em 5 dias. mais ou menos assim. me senti num filme o tempo todo, vivi uma novela por ali e a minha dica pra ter uma experiencia historica por ali: nao faca dieta nunca (pra quem sabe do que eu to falando, meia frase basta haha)
passei duas semanas no brasil depois disso, tava com uma saudade do tamanho do mundo, eh verdade, vi muita gente, nao vi muitas outras que gostaria de ter visto, pude voltar a falar minha lingua mesmo que esquecendo algumas palavras ("como fala square em portugues mesmo?" pois eh, acontece as vezes).
e foi ai que minha vida de mochileira (sem mochila, confesso, mas com uma mala geladeirenta) comecou. fazer um mochilao na europa eh assim: super exciting, ai da um medinho, ai eh sensacional, ai as vezes eh meio lonely, e me faz o tempo todo muuuuito feliz.
comecei por londres. eh aquela coisa super organizada, limpa, formal. o mais engracado eh escutar uma crianca falando com aquele sotaque metido a adulto. meu primeiro dia na europa e ja fui pro carnaval, uma festa de rua mais parecida com a virada cultural do que carnaval, lotado de gente, todo mundo com cara de bebado, dancando loucamente. e no dia seguinte a rotina volta e toda a sua formalidade e limpeza. conheci muita gente no hostel, principalmente australianos, todo mundo um amor. so no ultimo dia ouvi alguem falando portugues por ali, e como se nao bastasse conheci quatro brasileiros de uma vez so. meu problema em londres nao era mais o pull e push, que por mais que eu saiba que eh o contrario eu sempre abro a porta do lado errado (ou melhor, nao abro), e sim a direita e esquerda (eles dirigem do outro lado mesmo, cara!)
como todos sabem tenho problemas de organizacao mental. ando tendo dois problemas serios: data e direcao: se eu tenho certeza que pra eu chegar naquele castelo lindo depois da ponte em praga eh pra esquerda (e eu vou pra esquerda), meia hora depois eu resolvo perguntar e era pra ter virado a direita. e nao eh uma vez ou outra, sao todas. em relacao a data, eu sempre acho, sempre mesmo acho que tenho um dia a mais em cada cidade, entao nao me preocupo muito em arrumar minhas coisas, ou penso que no dia seguinte vou visitar o campo de concentracao em berlin que eu queria muito, afinal eh o ultimo dia.. mas eu nunca tenho esse dia a mais.
tanto eh que eu quase perco meu eurostar (aquele trem debaixo d'agua entre londres e paris) reservado a milianos atras. estava eu no hostel em londres, pensando que ia embora no sabado, e me vem o menino avisando: voce precisa fazer seu check-out. e eu: magina, eh soh amanha, meu trem eh soh amanha, dia 2! e ele: hoje eh dia 2! ok, fui milagrosa, arrumei todas as coisas em 15 minutos, juro (e a minha organizacao eh quase nula, ou seja, estava tudo espalhado na cama). eu tinha meia hora pra pegar o trem. o problema era correr ate a estacao de metro, com minha super mala, esperar o metro, chegar a te a estacao do outro lado da cidade, na estacao do harry potter que eh gigante e achar meu eurostar. e eu fiz isso ate hoje nao sei como. ok, eu sei, o trem atrasou. mas foi milagre. cheguei nojenta, suando porcamente, e um frances simpatico sentado do meu lado me deu todas as dicas do que fazer em paris e ainda me levou ate meu hostel, dado que nao tinha visto previamente como faria pra chegar da estacao ate o hostel.
e se eu tinha achado londres a coisa mais linda, paris eu nao consigo nem explicar.. por mais sujo, baguncado, meio fedorento, pessoas nao tao simpaticas, que seja, eh o lugar mais lindo que eu ja vi na vida. eu amei mais do que todas as outras (e olha que agora ja estou na minha sexta cidade aqui na europa).  todas aquelaz ruazinhas simpaticas, os predios baixos e amarelos grudados um no outro, os cafes com mesinhas do lado de fora onde todo mundo fica vendo o movimento, os cruzamentos de mil ruas (nao existem cruzamentos normais, e de repente um lugar enorme com um predio antigo enorme que eh um museu ou whatever, que eh a coisa mais linda do mundo. e o sena! eh tudo tao lindo, tao lindo, tao lindo que eu quase morria sempre que virava a esquina. outra coisa sensacional nessas duas cidades: transporte publico. sem mais. ta bom que em londres eh 4 pounds por uma andadinha de metro, mas existe em todo lugar. eu, a mais perdida, nao me perdia nunca por causa disso.
e no primeiro dia em paris quase boto fogo na cozinha do hostel. mas isso eh outra historia e o importante eh que fiz amigos por causa disso. alias, quando se viaja sozinha todo mundo vem falar com voce, eh impressionante, conheci mais gente em 3 semanas do que numas 3 vidas, exageradamente falando. meu hostel nao era tao bom quanto o anterior, mas meus roomates foram os maiores amorzinhos do mundo. canadenses. eh so o que se encontra por aqui, canadenses ou australianos.
o texto ta ficando meio grande entao a gente resume. sai de la e fui pra bruxelas, que tem uma das pracas mais lindas do mundo. mas eh pequena, um dia andando e ja conhecia a cidade inteira. o que tem de bom por ali eh a cerveja, o chocolate (belga, obvio) e os waffles. fui pra antwerpen com uns amigos no outro dia que me restou e em vez de conhecermos a cidade, dormimos a tarde inteira na beira do rio. foi lindo. ah sim, e por acaso vi um evento que aocntece so uma vez por ano, de bandas marciais, nao sabia o quao interessantes elas podiam ser, nao conseguia desgrudar o olho, e olha que foram muitas.
depois amsterdam. me recuso a dar maiores explicacoes.
hehe mentira. a cidade eh uma delicia. tem mil canais. tem milhoes de bicicletas porque eh o meio de locomocao mais comum (alias, em todas as cidades que eu visitei tem milhoes de bicicletas, mas amsterdam eh impressionante). acho que eh dificil arranjar lugar pra amarrar a sua porque nao tem mais vaga em lugar nenhum. quase fui atropelada varias vezes, tem carros, trams, bikes, pessoas, onibus, por todos os lados, eh uma bagunca. meu hostel era na verdade um bar, e tomar cafe da manha num bar eh uma coisa bem engracada. alias, era localizado no red light district, fiquei bem impressionada com as meninas na janela e talz, mas virou uma parte da cidade e ninguem que mora la se importa muito com isso. e tive a melhor noite da vida num pub crawl, conheci mil suicos, foi divertidissimo.
berlin eh uma das cidades mais baratas dentre todas as anteriores. por mais historia que tenha por ali, nao senti que foi tao especial quanto eu imaginava. gostei bastante, mas nao taaanto assim, sabe?
o que eh impressionante sao os grafites e a arte de rua. fiz um tour soh sobre isso e uau! um predio antigasso, quase sendo demolido, que tem umas galerias dentro e eh inteiro coberto de grafites. sensa. e o hostel era otimo, barato, tinha cozinha, lavanderia, bar, os quartos eram grandes. fiquei num quarto de 6 pessoas e eu era a unica mulher. tinham me falado, uma amiga linda que tambem foi pra europa, que os unicos problemas que ela tinha tido era quando tinham homens no quarto (nao que tivessem sido muitos mas whatever). mas sinceramente, eu fui tao bem tratada, mas tao bem tratada, que agora eu prefiro meus amigos homens por aqui. voce pode tomar banhos mais demorados que ninguem reclama, eles fazem comida pra voce, te pagam bebida, sao meio irmao protetores, nao sei explicar direito, mas conheci muitos anjinhos, homens e mulheres, do mundo inteiro. me sinto com muita sorte de poder ver e sentir tudo isso. agora estou em praga, tenho mais um dia aqui e ja volto pra alemanha. nao para munique, como todo mundo que eu conheci esta indo para tomar cervejas, mas ainda assim alemanha, e vou poder usar euros novamente.
tenho dolares, euros, pounds e coroas checas comigo agora. so nao tenho reais. shame on me.

domingo, 24 de julho de 2011

primeira grande crise de uma viajante dependente

to aqui quase morrendo precisando escrever.
ta osso. só isso.
fiquei pensando na minha vida e eu descobri que eu nao sei pensar sobre ela. mas de qualquer forma, mesmo nao sabendo pensar, o parar de pensar é impossivel, entao sempre se descobre alguma coisa no meio do caminho.
eu descobri que eu falo muito e falo alto tambem. minha casa tem 3 andares. eu vivo no de cima e o pessoal vive láaaa embaixo. consequencia: todo dia eu dava as caras lá embaixo e ficava conversando com o Leo (bff hahah) e seu respectivo roommate até eles me expulsarem dali. O leo foi embora e resolvi dar as caras novamente. deitei na cama vazia e fiquei la batendo um papo com meus irmaos sanfranciscanos ate eu perceber que era meio folga invadir o quarto, roubar uma cama pra mim e nao deixar ninguem dormir.. fui avisada que da proxima vez terei que convesar com o Goma, o coelho da casa. melhor do que conversar com o Fugi, eu juro que adoro gatos, mas esse gato é do demo, cara..maluquiiin que só ele e o resto das pessoas de SF.. tem cada figura que eu vejo por aqui, so nao tiro foto porque eu fico meio com medo.. mas se tratando de louquinhos, san francisco tem uma larga vantagem sobre outros lugares, acredite..
essa temporada (vulgo estudantes da casa) tá sendo uma delicia.. logico que é triste ver seus amigos indo e vindo o tempo todo, mas quem ta por aqui se dá super bem.. temos saido bastante todos juntos, trocado experiencias, uns silencios meio contrangedores de vez em quando de gente que nao se conhece tao bem assim pra ficar falando da vida um pro outro.. os brasileiros aqui sao os mais caras de pau, lógico.. saio falando um monte por ai e pra todo mundo, meio que grito.. falo portugues com quem nao devia.. exemplo de como perguntar para seu amigo FILIPINO se tem alguem no banheiro: "Good morning!", "hi, tem alguem no banheiro?" "hãn??!" "tem alguem no banheiro?!?" e por ai vai heuaheua mas minha familia aqui é tao gracinha demais que dá vontade de apertar todo mundo.. e é engraçado como nós brasileiros nos demos super bem com os suiços aqui de casa.. mas do que os asiaticos e o resto dos europeus.. temos um humor muito parecido, nao sei, eu gosto tanto deles =) as vezes conversamos eles em suiço e eu respondo em portugues e a comunicacao flui.. e o que mais importa por aqui é a comunicaçao.. tenho me dado melhor com os homens por aqui tembem.. sempre eu e mais dois amigos fazendo alguma coisa.. amigos meio velhos por sinal (ok, nao me batam se por acaso voce lerem isso heuaheu) me sinto a irma mais nova haha
e eu só tenho mais duas semanas por aqui.. nao sei muito bem o que pensar sobre isso, mas que me dá uma vontade de chorar me dá.. fiquei pensando varios planos sobre como ficar por aqui, mas nenhum me parece bom o suficiente para funcionar.. tenho um amigo aqui meio workaholic, que é um amor de pessoa, mas enquanto eu tento pensar sobre a vida e como aproveita-la ele pensa em money, money, money. fui avisada que deveria começar a pensar sobre isso, afinal ele já faz as aplicaçoes dele, trabalha o tempo todo e so tem uns 2 anos a mais que eu.. enquanto isso eu nao faço ideia do que fazer com a minha vida ano que vem.. e a vontade de voltar pra casper nao é aqueeeeela coisa, sabe? mas enfim.. fiquei vendo umas fotos do brasil agora, to quase morrendo por dentro.. cada parte de mim quer uma coisa diferente.. e olha que dá pra me dividir em umas infinitas partes diferentes.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Big and colorful

Aqui na America é tudo grande e colorido. Sabe aquele small size que voce pede em qualquer restaurante? Entao, vai ser tipo megaextrasuperenorme copo de milkshake, pedaço de brownie e todas essas coisas. aqui na minha casa o pacote de cereal, de leite, manteiga, pão, é tudo do tamanho de um caminhão. Voce vai no supermercado (Walgreens tem em todo lugar. Safeway é mais legal ;)) e os corredores sao meio engraçados, tem um corredor só de cartao de um lado e do outro tem metade shampoos, metade ferramentas para consertar o seu aquecedor de ar. no lógica at all, I know. e a prateleira de doces é tipo SENSA, tem tudo o que voce quer e o que voce nao sabia que existia e quer mais ainda. Haagen-Dazs a $3 dolares o pote grande!!!!!!! cara, pra mim isso é pedir pra ficar gordo, só pode ser! e é tudo tipo muito colorful, cada doce tem uma cor diferente. tem um aqui esquisiterrimo, que é tipo um canudo doce e preto, que tem em todo lugar.. pra mim nao parece nem um pouco apetitoso, mas enfim.
mas tem algumas coisas que eles nao tem por aqui:
- Leite condensado!!! o cara nem sabia o que era..!
- Borracha. voce encontra 30 mil tipos de sorvete de baunilha e só umazinha borracha no supermercado inteiro.
- toddy. ok, eu nem queria encontrar tipo um chocolate do padre aqui e tudo isso, mas nem toddy, é só tipo um nesquik horrivel..
- queijo. american cheese is not cheese. é uma coisa meio esquisitin..
- pao. só pao de forma.
- e pelamordedeus: voce pede um cafe aqui nesses starbucks ou peets da vida e, cara, O CAFÉ É SALGADO. juro. nao entendo.. tinha em casa um cafe brasileiro delicia, o turco fez um café turco delicia.. mas café americano é terrivel. apesar de que eu gosto muito do cream que eles poe dentro..
mas de resto, o que voce quiser ou nao quiser, voce encontra aqui, numa quantidade enorme e na cor que voce preferir..
ah é, alcool para menores de idade, pode esquecer tambem.. me sinto uma baby aqui.. fui até expulsa de um bar outro dia, e eu só tava sentadinha no cantinho conversando e só.. poxa vida =(

sábado, 9 de julho de 2011

Yosemite, Fireworks, 4th of July

Ixi..
mas faz um tempao que eu nao escrevo por aqui..
ta osso achar um tempinho pressas coisas.
meu coraçao ta apertado dos dois lados.
homesick e a vontade de nao ir embora nunca mais.
faculdade, trabalho, o que for, a vontade de ficar é inevitavel.. e a de trazer todo mundo que voce ama pra cá tambem..
enfim, fiz taaaaanta coisa nesse tempo ai que ja nem me lembro mais..
fui ate sacramento no outro fim de semana, fiz uma visitinha ao Yosemite que é um parque lindo demaaais da conta, e nem consegui ver a parte principal, turistica mesmo, porque a espera era de umas 3h.. era uma fila de carros e nao tinha como sair dali, juro, planejamento meio burrinho aquele, mas só tava cheio assim  porque era no feriado de 4 de julho. vi varios bambis por ali, umas gracinhas.. e sei que tem ursos lá tambem, tem até umas placas de "nao corre que mata urso". e uma placa do tipo " nao jogue papel na privada pq é extremamente dificil de retirar" coisas assim..
passei o feriado na casa do meu primo, uma familia semi brasileira semi americana, mas como todo mundo fala portugues eu ate esqueci que estava na america.. exceto na parte que todos os vizinhos da rua se reuniram para assistir os fireworks que um deles estava soltando na frente de casa.. todo mundo sentadinho na grama, de noite, assistindo aos fogos, e um pessoalzinho mais bebado gritando o tempo todo.. ou entao no cafe da manha da igreja que teve pancakes e sausage.. ou entao o cheesecake MARAVILHOSO que levaram pra mim quando eu ja estava atrasada dentro do carro sem saber que ia conseguir pegar o trem de volta pra San Francisco.
e obvio que eu tinha que perguntar se "aquele" trem estava indo para Sacramento pro cara da estaçao e receber uma risada do tipo "oi, nós estamos em Sacramento"
fui direto para a Ghirardelli Square encontrar meus friends para assistirmos aos fogos de 4th of July. parecia ano novo, juro. a cidade inteira estava no Fisherman's Wharf assistindo aos fogos, tava me sentindo A americana por ali, foi tudo muito bonito. o problema é a volta pra casa que demora umas duas horas e voce tem que andar loucamente e por uns lugares nao tao bons de andar por ai.. é, San Francisco tambem tem lugares assim.. mas todo mundo sao e salvo por aqui..
minha casa mudou completamente essa semana, muita gente nova e, adivinha? só brasileiros. obvio.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Alcatraz

Alcatraz é um desses passeios que voce precisa fazer quando vem pra cá. aquela overdose turistica sabe? de tirar foto até do parafuso da maçaneta da porta e você. Alcatraz foi uma prisão de segurança máxima e bla bla bla atualmente desativada só serve pra voce ir lá visitar por umas horinhas e voltar.
ok, o tempo aqui é meio ruim, mas nunca chove em São Francisco. Só chove no dia que eu vou pro meu passeiozin turistico, óbvio! alguem lá em cima conspirando contra mim, magina. "Não parecerás turista em país alheio." mas anyway.. é divertidinho ir visitar, impressionante o tamanho (minusculo) das celas, as tentativas de fuga e os utensilios pouco provaveis para tentar escapar (tipo uma colher e talz), mas num dia chuvoso não é lá muito emocionante. voce entra no navio esperando ver a Golden Gate (linda sensa que eu amo muito) e ve uma massa cinza e só. alem disso, chuva, vento, frio nao sao as melhores coisas para sua saúde e é.. is not a good idea ficar doente por aqui.
Esse negócio de língua tá bem engraçado. Só conheço estudantes de outros países. estou na américa e a unica americana que eu conheci foi no meio da balada por 15 minutos. nenhumzinho americano da minha idade. entao a gente se esforça o melhor que pode pra falar ingles com pessoas que nao entendem seu sotaque e nem voce o delas. e pode ser bem divertido. nos brasileiros falamos bastante portugues entre nós e nao é que uma japonesa e uma francesa já nao conseguiram entender e responder para nós? cada um vai dando uma aula sobre a propria lingua e cultura. koreanos falando portugues, brasileiros falando alemao, todo mundo tentando um japones, aquela bagunça gostosa de gente tão diferente entre si. a energia da casa é tao boa que ficamos um tempao conversando depois do jantar, rindo e tudo isso. adoro.
comecei a pegar um sotaque meio do interiorrr e nao sabia daonde, tava até achando que era o ingles que me fazia puxar uns Rs, mas já descobri daonde veio. e ainda ando misturando portugues com ingles, falando portugues com russos, japoneses e americanos e ingles com brasileiros, tudo sem querer.. meu cérebro tá uma bagunça!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Golden Gate Bridge e outros assuntos

ok, voces sabem, minha casa é enorme. nao basta uma, tem duas! mais a dos fundos.
e agora esta tudo lotado. 30 milhoes de estudantes vivendo aqui, cada um de um lugar (of course metade asiaticos, metade brasileiros, ou quase isso). é bem divertido encontrar um coreano no café da manha, um russo no almoço, uma tcheca no jantar, uma alema no passeio. o unico problema é o banheiro. todo mundo só usa o banheiro grande que os outros quase nao pra se mexer. pra achar um tempinho livre pra tomar banho ta uma coisa bem complicada, mas para tudo dá-se um jeito.
comecei a sentir a minha pouca idade: nao posso entrar na festa que eu queria ir por ser menor de 21. caquinha, eu sei..
o clima por aqui é mais maluco que em São Paulo. Estava fazendo uma semana linda, céu azul, sem nuvens, sol, calor e decidi ir na Golden Gate Bridge por causa disso. dizem que é super dificil ir lá sem estar nublado.. e eu acordo no dia seguinte e tchan tchan: nubladiiiissimo, só neblina, frio e vento.. fiquei triste, fui pra escola, 4 estaçoes depois da minha e adivinhem: céu azul, sol, calor. WTF? nao entendo.. nos perdemos uma hora até encontrar os onibus que iam para lá e uau como eu nao pude imaginar? estava tanta neblina que eu nao conseguia ver a ponte inteira... muuuito frio, muuuito vento, e mesmo assim um dos lugares mais lindo que eu ja fui, sem brincadeira. surtei. comecei a gritar, cantar, pular, tirar fotos.. é sensacional aquele lugar, vale muuito a pena.. Na volta para casa ainda fui atacada por um passaro maluco.. nao sao só as pessoas que sao doidinhas por aqui.. os passaros, os gatos, deve ser a agua da torneira que todo mundo bebe, vai saber haha
Lombard Street é outra.. passei um dia me perdendo para chegar lá.. tive que voltar outro dia, subir umas colinas enormes (pior que Perdizes) quase morrer no meio do caminho, mas é uma gracinha, toda tortinha, florida, cheia de gente.. e depois Chinatown que é uma bagunça inteira..
Ah é, fui comprar ingressos para Alcatraz ontem, acabei achando os Sea Lions, bichinhos engraçados que só dormem o dia inteiro. eles sao tao fofinhos que da vontade de abraçar, mas nao me parece ser uma boa idéia..

sexta-feira, 17 de junho de 2011

rotina sanfranciscana

eu podia viver em São Francisco. ou quase isso.
é engraçado que antes de viajar voce fica pensando que o mundo aqui é outro, que para dar um passo na rua voce precisaria de uma atençao muito maior, que as pessoas iam ser tao diferentes que voce seria facilmente reconhecido como estrangeiro, que tudo seria mais dificil, cada dia seria uma aventura e etc. pelo menos eu pensava assim.
e é meio que verdade. mas é tudo diferente de um outro jeito.
o mundo não é outro. as pessoas nao sao tao diferentes assim: de manha cedo todo mundo pegando metro pra ir trabalhar, estudar, etc. todo mundo almoça, janta, tem familia, fica numa fila enorme para ver uma exposiçao gratuita, vai no cinema. A rotina é a mesma.
Mas sim, tem muita coisa diferente por aqui que é uma delicia.
em São Paulo nao existem prédios, ou casas. eu, pelo menos, só vejo grades. essa obsessao pela segurança é uma coisa que me assusta por ali. é uma cidade perigosa e todo mundo se prende cada vez mais dentro do seu mundinho. medo, obsessao e grade enfeiam bastante nossa cidade. eu nao conseguia imaginar como seria uma cidade sem isso. e agora eu vivo em uma assim. e nem estou falando de grades.. só um portaozinho mesmo, sabe? entao.. as casas aqui nao tem isso (obvio que nao estou falando de todas). existe um jardinzinho super bem cuidado na frente e a porta da casa. e é isso. nada entre a rua e a porta. desconfio até que as portas estejam destrancadas e se voce quiser ir lá abrir e usar o banheiro será perfeitamente possivel. até que alguem te veja por ali.
eu gosto bastante de andar por este bairro (West Portal). As casas aqui sao enormes e lindas. eu podia viver em uma fácilfácil.
mas o que eu mais gosto de andar por São Francisco são as faixas de pedestre. Eu adoro atravessar rua aqui: os carros PARAM pra voce. O metro/onibus PÁRA pra voce. Todo mundo pára pra voce, na hora que voce pisa no asfalto ate voce terminar de atravessar a rua. Atravesso bem devagarzinho para testar a paciencia dos motoristas e é incrivel como sao pacientes. eu adoro atravessar a rua MESMO haha
alias, nunca vi uma cidade tão paciente. as pessoas nao parecem ter pressa. os carros andam devagar. as pessoas te dao informaçoes pacientemente. perguntam, ficam interessadas em voce, dao boas vindas, todo mundo simpaticissimo. tem uma energia tao leve.
Tem bastante homeless por aqui, nao no meu bairro, eles sao famosos na Civic Station. tem alguma coisa a ver com uma lei de que cada homeless por aqui ganha um salario minimo e muitos vieram pra cá. eles se dividem, pelo que eu pude entender de tudo isso, nos bem simpaticos (que eu ja encontrei algumas vezes) e uns beeem loquinhos que, de preferencia, nao fique muito perto. sim, tem pessoas bem loquinhas por aqui.
O metro aqui tambem quebra. adoro que é bem no dia que eu vou voltar pra casa sozinha pela primeira vez. not. precisei pegar um onibus xis que tambem nao é bem onibus, mas tambem nao é metro (deu pra ver que eu nao entendo muito o transporte publico daqui) e ir ate uma estaçao xis, completamente perdida, e é obvio que alguem sempre te ajuda. os onibus ficam bem cheios tambem. mas voce tem espaço pra respirar mesmo quando lotado. e o motorista impede que mais pessoas entrem quando o numero maximo de pessoas é alcançado. ou seja, nunca ha alguem esmagado na porta ou saindo pela janela e etc.
estava fazendo bastante calor pra sao francisco e um céu azul sensa essa semana. agora o tempo ja mudou de novo, tudo cinza (como normalmente é) ventando e frio.
e esse fim de semana, acho que domingo, é dia dos pais por aqui. descobri isso por causa dum moço que trabalha aqui no metro/onibus na frente da minha casa que começou a falar comigo, mega simpatico e me falou. achava que as pessoas aqui nao gostavam muito de estrangeiro, mas elas parecem gostar bastante. até porque tem mais estrangeiro do que americanos, né, ia ser aquela historia de os incomodados que se mudem e talz..

segunda-feira, 13 de junho de 2011

second day


Fim do segundo dia em São Francisco. Já aconteceu tanta coisa, já conheci tanta gente que pensar que eu cheguei ontem de manha aqui é estranhissimo.
algumas consideraçoes:
viajar doze horas ao lado de um casal chato e um cara mal humorado nao é exatamente a coisa mais divertida do mundo. principalmente na classe economica.
arranjar um amigo no aviao que ja foi para os states antes é uma ótima pedida. apesar de que nao tem muito problema voce estar sozinho, é tudo muito bem sinalizado. o aeroporto em Dallas é quase uma cidade auto-sustentavel. pega-se um trem para andar por ali e o banheiro.. fiquei com vontade de morar lá dentro de tao limpinho, cheiroso, gigante e etc
cheguei em Sao Francisco e peguei uma supershuttle ($17 outra otima pedida que me deixou na porta de casa e QUE casa!) é a coisa mais linda, juro. gigantesca, parece de boneca a ainda consegui o melhor quarto com uma cama enorme. tem aquelas regrinhas do tipo no shoes in the house, tudo impecalvelmente limpo e arrumado, toque de recolher umas 21h e etc. mas a cozinha é sensacional e meus cafes da manha foram bem gordos e gostosos até agora, croissant com nutella e bolo com blueberries e chantilly. e os jantares aqui sensacionais tambem. mas enfim..
o melhor de tudo é que tem um monte de estudantes vivendo aqui, na minha casa e em outra bem proxima daqui, no primeiro dia ja arranjei companhia para ir ate o fisherman's wharf, pegar o cable car, comprar meu cartao clipper ($60 para um mes andando de transporte publico - sensa)
outra coisa: sabe aquelas historias de nao faça amizade com brasileiros? há. desista, é impossivel. tiramos a conclusao de que nao há mais brasileiros no brasil porque estao todos aqui. é melhor tomar cuidado se for falar portugues em voz alta.
esta tudo muito divertido, ja levei bronca do carinha do cable car, os motoristas dos onibus (que nao sao exatamente onibus) sao sempre bem humorados e nao param de fazer piada no microfone. as vezes é bem confuso e a consequencia é o onibus inteiro rindo da sua cara, mas de um modo simpatico.
as coisas aqui sao incrivelmente baratas, tipo comida, roupas etc. fomos tentar comprar casacos aqui porque apesar de ser verão JURO que parece inverno, mas aparentemente nao existe roupa de frio pra vender, eu nao sei onde as pessoas usam essas roupinhas, sério. como vou voltar pro brasil depois obvio que precisei aproveitar um pouquinho. mas ainda preciso de um casaco. e uma camera. a minha quase nao funciona..
acabei de voltar de uma caminhada aqui pelas redondezas com novos friends. descobrimos um lugar sensacional, tipo um parque e talz. era um monte de arvores e caminho beeem sinuoso e ingreme para carros que resolvemos descobrir onde dava. era meio assustador, mas no final era tudo tao lindo, tao calmo, dava vontade de ficar ali só por ficar..
mas enfim.. tudo dando certo por aqui. :)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

summertime

hoje é quinta já e minha viagem começa sabado a noite.
DEUS ESTOU MORRENDO! mas ok, nada de pânico..
só por que eu nao tenho muito tempo entre minhas conexoes, estarei sozinha, nao sei como ir pra casa, nem onde é minha casa direito, eu preciso me preocupar?
magina. to de buenas aqui.
aham. not.
e acabei de ver que verão lá é tipo maximo 20º. e agora está fazendo maxima 15º.
15º está aqui agora e eu estou congelando de frio. veraozinho meia boca esse ae, mas ok.
california baby.
"For those who come to San Francisco
Summertime will be a love-in there"
by the way, vou morar numa casinha de boneca gigante, segundo o google street view. até dia 16 de julho, depois serei uma homeless.. pois é.

domingo, 15 de maio de 2011

visto americano

me disseram que fazia tempo que eu nao postava e, de acordo com o planejamento, a periodicidade do blog deveria ser semanal e..
ok, parei. é que o espirito da cásper me assombra ainda..
falta um mês. e acabei de conseguir meu visto americano.
todo mundo diz que pra tirar o visto voce é obrigado a passar por americanos pouco simpaticos que não te querem no país deles. eu estava morrendo de medo da entrevista, vai que dá a louca no cara e ele resolve não me dar um visto porque está de mau humor.. nao sei, podia acontecer..
mas enfim, não foi nada disso.
é bem verdade que eu tinha em mãos uns 100 documentos diferentes provando escolaridade, dinheiro, identidade, pagamentos etc, o que ele quisesse eu teria um documento para provar. e pra isso precisei ir em 100 lugares diferentes e pagar 100 taxas diferentes.
a entrevista estava marcada para as 7h30 da manhã num lugar beeeeeem longe de casa. mas a de todo mundo estava marcada para esse horario, portanto  é preciso chegar o quanto antes.
cheguei lá as 6h40 e a fila já estava enorme. bem desanimador. mas, pela quantidade de gente até que anda rapidinho..
é isso. voce fica 3h em filas pra entrar, separar documentos, tirar digitais, etc. e eu sozinha ali e o policial ainda veio perguntar pra mim se estava sozinha e com aquela cara suspeita quantos anos eu tinha. por deus, eu nao tenho mais cara de criança, espero.
é tudo meio chatinho, muito cheio, bem mais desorganizado do que eu pensava, gente andando pra tudo que é lado, varias filas se cruzando, gente furando fila, gente que nao fura fila e é mandado de volta pro começo dela, uma confusão.
e eu sozinha e nervosa com a parte da entrevista com o tal americano.
fui me encaminhando pro guiche 10 e um homem com uma cara de mau estava a minha espera. foi eu dizer bom dia e ele abriu o maior sorriso do mundo. perguntou meia duzia de coisas, nao me pediu um, nenhumzinho, documento (a nao ser os que eram obrigatorios, obvio), fez piada, riu, parecia meu amigo, e me deu o visto em dois minutos. O QUE? ERA SÓ ISSO? oi fui ate a casper, "15 reais, 7 dias uteis", ate o banco, até a p********** e meo.. era só isso! foi assim: seus pais tem casa propria? tem. ok (nao pediu nenhum documento). onde eles trabalham? putz moço, eu nao sei. tudo bem, nao tem problema. oi?!
é, foi otimo, fiquei bem feliz. quem nao ficou muito feliz foi a moça que foi mandada de volta pro começo da fila e parecia estar chorando no final. mas que tinha uma cara de metida chata, deus ela tinha.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

6 meses, 3 continentes, 11 países

6 meses, 3 continentes, 11 países. é um bocado de coisa. pra mim tudo isso parece lindo, mas as vezes cansa. tem tanta coisa pra resolver e cada uma precisa de numero minimo de 30 documentos diferentes que cansa bastante. as vezes parece que nem vai dar tempo de se divertir porque o tempo todo voce vai precisar resolver alguma coisa, ir em algum lugar com algum documento e etc. muita burocracia, muita papelada. pra quem não tem carro, como eu, ficar andando de um lado pro outro na cidade exige tempo e paciência.
mas daí eu paro de reclamar e penso comigo mesma que não me importa, eu vou pra tantos lugares diferentes, com tanta gente interessante, perrengues que precisarão ser resolvidos.. e entao eu preencho a papelada toda.. e vou até o brooklin de madrugada, vou até o consulado as 7 da manha, vou até o aeroporto pegar o comprovante de vacina internacional, vou até o banco, até a agencia de viagens, vou tirar minha foto pro visto, minha foto pro projeto, tirar xerox disso e daquilo, pagar uma taxa pra cada passo que eu dou, faço teste, espero 48h, espero 2 semanas, reservo hotel, passagem, casa de familia, outra passagem, 13 hostels e por aí vai.
falta um pouquinho mais de um mês. dia 11 de junho estarei lá pegando o avião, com quase nenhum medo magina, nenhuma ansiedade também, saudade aff..

domingo, 10 de abril de 2011

a arte do em cima da hora

por mais sensacional que pareça essa escolha toda, existe uma parte bem desagradavel e necessaria para voce sair de um pais e ir para outro. eu chamo burocracia.
digamos que estar com passaporte vencido e só ir cuidar disso em cima da hora nao é muito aconselhavel. tirar visto americano nestes mesmos termos é pior ainda. nao saber onde vai ficar, nao ter comprado as passagens ainda, nem como fará pra levar quatro tipos diferentes de moedas com você (euros, dólares, libras e.. rúpias - ainda rio disso). eu sempre fiz tudo muito em cima da hora, mas brincar com nosso lindo sistema da policia federal que insiste em ficar fora do ar, da boa vontade das pessoas em fazer o que voce precisa que elas façam ou dos caras do consulado americano é meio perigoso. ainda preciso resolver trinta milhoes de coisas e estou dependendo de tudo isso aí. deveria começar a acreditar em deus e rezar pra que tudo de certinho e eu nao volte deportada. alias, nao só nos eua, mas vou entrar na europa por londres, e minhas chances de deportaçao estão me assustando. ok, nao quero morar em nenhum desses paises e toda aquela coisa, mas eu nao estou trabalhando, nem estudando, sou de um pais da america latina e tenho ascendencia árabe, que mais precisa? ah, sem falar no visto indiano (sim, precisa de visto) que eu só poderei tirar na uma semaninha que passarei aqui no Brasil em agosto, senão ele vence antes e fico como imigrante ilegal na Índia.
ok, chega de drama. eu sei que vai dar tudo certo, mas tive várias afliçoes esses ultimos meses. adoro ter que ir trinta vezes na policia federal por causa de passaporte e só as minhas filas estarem gigantes, por exemplo. adoro nao ver data de validade de pagamento e achar que precisaria remarcar tudo de novo porque ela venceu. quando voce pensa logicamente é óbvio que voce pode reprogramar a data e que o passaporte vai sair alguma hora e nao é deus te castigando la de cima. mas ninguem pensa logicamente nessas horas. tem um milhao de coisas pra resolver. e eu adoro resolve-las quando quase nao há mais tempo para isso.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

como começar uma viagem

Segundo post sobre a dita cuja: para onde ir


setima, oitava, colegial inteiro, todo mundo ouve o quanto a globalização está diminuindo distâncias e o fluxo de pessoas, mercadorias, dinheiro está cada vez mais intenso, blablablablabla
o mundo continua grande para mim, bem grande e muito diferente em cada parte dessa distancia toda! e escolher um lugar entre tantas possibilidades pode gerar bastante ansiedade (ainda mais quem nao lida bem com opções, tipo eu). eu, por exemplo, quero visitar o mundo todo. ok, Cléo, em seis meses isso nao é exatamente possivel, restrinja-se. tive que descartar uns 30 zilhoes de lugares que eu gostaria de ir, e isso foi uma coisa meio triste, porém necessária. tinha que pensar direito né? nao é tanto tempo assim. australia, eua, canada?
já disse que nao lido bem com opções e tive que dividir esse tempo em três e voilà: américa do norte, europa e ásia, tudo junto.

mas na verdade a coisa começou assim:
preciso desesperadamente sair daqui. vou viajar. vou para os eua morar 6 meses lá. ah nao, vou para australia.. e ia tudo por aí.
conversa vem e vai, achei que precisava fazer alguma coisa diferente e mais útil. estava tudo muito mastigadinho, muito cheio de frufrufru, nao tinha uma cara muito de aventura. eu queria uma aventura que fosse util.
pesquisa: trabalho voluntario no exterior
resultado: áfrica, índia e peru.
reação: vou para a india fazer trabalho social e é isso aí.
nessas horas nao da pra pensar muito, voce tem que continuar acreditando que é uma pessoa corajosa e pensar definitivamente nao ajuda.
os projetos duram 2 meses. faço um, dois, tres? faço dois e vou pra america?
nao, fico dois meses nos eua estudando, dois meses na india trabalhando e dois meses na europa fazendo um mochilao sozinha, óbvio!
e dá-lhe coragem mais uma vez!
continuo nao pensando muito nisso. para alguem que passa dez dias fora de casa e já começa a ficar doente, vai ser bastante assustador.
pela terceira vez: nao lido bem com opções, escolhi uma opçao assustadora e já estou me orgulhando muito dela. afinal é bem dificil escolher para onde ir.

terça-feira, 5 de abril de 2011

como começar um blog de viagem

1) escreva viagem com G. quem escreve com J não merece viajar nunca na vida
2) permita-se quantas licenças poéticas você quiser (nao usando acentos ou letras maiusculas, por exemplo)
3) explique o motivo de sua viagem aos leitores (imaginarios):

entrei em crise e me pareceu um bom motivo para viajar.